sábado, 13 de novembro de 2010

Fisiopatologia das Feridas

          
           A denominação para ferida se aplica a toda e qualquer ruptura que venha agredir a integridade física da pele.O dano tecidual rompe uma arquitetura harmônica, tendo capacidade de desencadear um processo de regeneração por meio de respostas biológicas complexas.
          A proteção do corpo humano é concebida por uma camada sedosa e forte que denominamos pele. A pele apresenta duas camadas principais: epiderme e derme, que são unidas entre si. Uma terceira camada, hipoderme, é constituída por tecido conjuntivo subcutâneo, ficando abaixo das duas camadas.
          A derme é a camada mais espessa e profunda da pele, sendo composta por fibras de
colágeno e elastina.
          A epiderme é a camada mais externa das duas principais camadas da pele. É discretamente ácida, recoberta por epitélio queratinizado, sendo este, sustentado pela derme e pelo tecido conjuntivo subjacente. Também contém melanócitos que confere cor à pele, cabelo e pêlos. Sendo divida em cinco camadas distintas. Sendo dividida em: estrato córneo, estrato lúcido, estrato granuloso, estrato espinhoso e estrato basal ou germinativo.Assim, quando a barreira protetora – pele – é aberta temos o que chamamos de feridas.
         O processo de cicatrização das feridas envolve diferentes estágios. A compreensão
desse processo é de grande importância uma vez que a evolução da ferida depende do
tratamento adequado a cada fase.
Todos os organismos vivos possuem uma capacidade auto-regenerativa, ou seja, de voltar a reproduzir determinados elementos. Nos organismos unicelulares, encontramos a presença de enzimas responsáveis pela recuperação de elementos estruturais (citoesqueleto, membranas e paredes celulares) e de moléculas de alta complexidade (proteinas, RNAs e DNA).
          Nos organismos superiores, além dos elementos estruturais e das moléculas; a restauração dos tecidos podem ocorrer de duas maneiras:
1. A partir da regeneração com a recomposição da atividade funcional do tecido; ou
2. Através da cicatrização com restabelecimento da homeostasia do tecido com perda da sua atividade funcional pela formação de cicatriz fibrótica.
          A lesão tissular, de qualquer natureza (física, química ou biológica), estimula rapidamente diversos processos metabólicos que buscam recuperar o tecido lesionado; desencadeando, ainda e de imediato uma série de eventos que de forma simplista se traduzem como rubor, tumor, calor e dor.
          Esses eventos são resultados da ativação de células nervosas, vasculares, estromais e circulatórias por estímulos físicos ou por sinalização química feita por:
1. Estruturas das células rompidas (porções da membrana celular e organelas),
2. Fragmentos dos elementos inertes dos tecidos (colágenos, elastinas, fibronectinas, e
outros),
3. Proteínas séricas que extravasam dos vasos rompidos e por ação de mediadores
inflamatórios pré-formados (liberados principalmente dos grânulos das plaquetas,
mastócitos e terminações nervosas periféricas); ou
4. Neo-sintetizados (eicosanóides e PAF).
         A cicatrização é portanto um processo complexo e sistêmico que exige que o organismo ative, produza e iniba um número considerável de componentes celulares e moleculares que se organizam com o objetivo de contribuir para o processo de restauração.
        Entender o processo cicatricial é conceber que sua evolução esta relacionada a uma série de fatores locais e sistêmicos que podem contribuir positiva ou negativamente na sua evolução fisiológica, além disso o cuidado externo dispensado à lesão é um fator importante que pode prejudicar ou colaborar com o trabalho que o organismo se propõe a realizar.

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